FILOSOFIA

FILOSOFIA

A medicina natural pode acrescentar muito no cuidado geral com as crianças, no tratamento das doenças comuns da infância e na manutenção da saúde.



Os métodos naturais como a Homeopatia e o Ayurveda colaboram com uma postura menos materialista e menos imediatista, desencorajando a auto-medicação, o exagero e a falta de bom senso no uso da alopatia.



É possível mudar os hábitos e usar os recursos naturais a fim de construir um estilo de vida mais saudável, sem deixar de lado a prática médica convencional, com suas indicações precisas.

Mostrando postagens com marcador direito de mãe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador direito de mãe. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Filme : O RENASCIMENTO DO PARTO

O documentário que estréia agora, dia 09 de agosto de 2013, questiona a epidemia de cesarianas e fala sobre humanização, a retomada do parto normal, da mulher como protagonista do parto, do direito de escolha etc... sensacional! Não percam!

Link para o "trailler" no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=1zB-5ASFqm0

E aqui, um cartaz do filme com uma foto minha, só de brincadeira, para ajudar na divulgação!




terça-feira, 9 de abril de 2013

RELATO DE PARTO DO ANDRÉ


O Andrezinho já está com 6 meses e só agora consegui sentar para escrever o relato de parto. Na verdade, me deu uma vontade súbita de reviver os momentos que me marcaram e me transformaram tanto!
Tanto no parto do André, como no da Analu, tive experiências maravilhosas. Diferentes, mas igualmente intensas. Vocês sabem, o parto da Analu foi um parto natural lindo, hospitalar, sem nenhuma intervenção. Sem anestesia, sem episio. O trabalho de parto durou bastante, mas tudo muito tranquilo, sem pressa, sem desespero. Um verdadeiro nascimento em PAZ.


O parto do Andrezinho foi bem diferente: rápido, intenso, cheio de força e energia e hoje entendo por que.
Mas, vamos contar a estória desde o início.

Analu estava com 1 ano e 3 meses. Tinha acabado de desmamar. Flavio e eu ainda na dúvida, mas cogitando muito de longe, se teríamos um segundo filho ou não. Tínhamos motivos tanto para ter, como para não ter. A decisão estava empatada e nós ainda não sabíamos como desempatar.

Até que em janeiro de 2012, dei falta da minha menstruação. Ela só tinha vindo duas vezes, pois amamentei a Analu até quase um ano. Hummm... frio na barriga, mas mesmo assim, eu me enganando nas contas, demorei para achar que estava mesmo grávida. Deixei passar um tempinho. Nada. Falei para o Flavio, olha, to atrasada. E ele: ah, você tá grávida, mané! E eu: nããaooo... e ele: tá sim, foi aquele dia assim assado, tenho certeza que você errou nas contas. E eu: será? (sem saber o que sentir, tinha uma confusão dentro de mim...) E ele: vai logo fazer um teste de farmácia. E eu fiz. Saí do banheiro chorando adoidado com aquele bastãozinho na mão, entreguei a ele. E ele: ahn? Que que deu? E eu: buáaaaa  E ele: Sil, você tá grávida! Eeeeeeeee! Analu, você vai ganhar um irmãozinhoooo! E eu: buáaaaaa!!!

A notícia veio completamente de surpresa. Eu totalmente desprevenida. A Analu tinha recém parado de mamar, estava começando a andar, eu começando a sentir que a minha vida e meu corpo estavam voltando ao normal e, de repente... tudo volta para traz: barrigão, roupa de grávida, sutiã de amamentação, dedicação, noites em claro... mamá, mamá, tudo de novo... puts, desabei! Fora meu pai, que ainda não estava totalmente recuperado da doença, minha mãe ocupadíssima e estressadíssima, eu dando plantões... socorro! Pirei!

Mas, a alegria do Flavio e o tempo foram me acalmando. Na minha primeira consulta com a obstetra, a Lu Taliberti, (tirei o “doutora” porque somos colegas de faculdade!), chorei, chorei... e ela me acalmou, acalmou... fui tão acolhida, recebi beijos e abraços e parabéns e força!... esta primeira consulta foi essencial para que eu voltasse ao meu eixo e conseguisse ver de novo como é grande o milagre da vida, como é lindo estar grávida, quantas bênçãos que estava recebendo com a chance de ter mais um bebê na minha vida e na nossa família!!!

A consulta com a Lu foi essencial também por causa do tipo de parto. Mesmo no meio da minha confusão uma coisa eu sabia: não queria nem por decreto passar por uma cesária. Nem correr o risco. Por isso procurei a Lu. Sabia que ela ia me entender, não iria de jeito nenhum me tachar de doida por ter escolhido um parto natural para a chegada da Analu.

E assim foi em todo pré natal: as consultas com a Lu cheias de carinho e de um forte apoio ao parto normal. Estávamos em sintonia total: ela entendendo a minha vontade de parir e eu confiando que ela me deixaria parir em PAZ!

E fomos indo! Rapidinho fui entrando em sintonia com a gravidez e com o bebê. As aflições foram ficando para trás e me sentia novamente radiante grávida. A Analu foi crescendo e entendendo que “vai chegar o seu irmão”, que ela rapidinho apelidou de Simão = seu irmão!

Logo no comecinho liguei pra minha querida amiga Aninha para começarmos a fazer aulas de yoga para gestante. Foi uma delícia! Eu, que já conhecia a Aninha de outras aventuras yóguicas (fizemos o primeiro ano de formação com o Pedro Kupfer juntas, em 2007, e logo ficamos amigas) também pedi que ela me doulasse no parto do André. Então, fizemos yoga, cantamos mantras, conversamos muito sobre o parto e tudo isso também ajudou a tornar a gravidez muito mais tranquila!

Em julho, já quaseno terceiro trimestre de gestação, o Flavio foi viajar a trabalho. Assim como na gravidez da Analu, só que desta vez, corríamos o risco dele estar fora no dia do parto... eu não queria nem a pau parir sem marido, apesar de ter o plano B da minha irmã ser minha marida, caso ele não estivesse. Mas não tinha o que fazer, a não ser esperar... nunca que cogitaríamos, nem eu nem ele, de marcar uma cesária para que ele pudesse estar presente. Antes sem marido do que de barriga cortada!

Mas, ele tinha conseguido uma folga para vir a São Paulo na semana da data prevista do parto. Torcíamos e rezávamos para que o Andrezinho colaborasse e nascesse na semana em que o pai dele estivesse presente.

E chegou a 39o. semana. A DPP (40 semanas) era 10 de outubro e dia 29 de setembro o Flavio chegou. Ficaria até dia 8 de outubro. Neste dia já comecei a tomar uma homeopatia para ver se ajudava a engrenar um trabalhinho de parto.

Eu tinha certeza que o Andrezinho não chegaria até a 40o. semana, pois já estava grandão e a Analu tinha nascido de 39 semanas e um dia. Ficamos confiantes. Dia 2 de outubro, meu aniversário, tive consulta com a Lu. O Flavio foi junto. E ela: a barriga está alta hein Sil? Por enquanto tudo quieto. E eu: ai Lu, esse muleque tem que nascer esta semana!!! (ansiedade batendo a mil né?) E ela: bom, posso tentar uma ajudinha aqui... (ai, eu sabia o que era – a famosa e dolorida “dedada” – descolamento de membranas) ain... mas, com meu consentimento, ela fez. Doeu vai, mas nem tanto. Passou logo. Eu queria acelerar um pouco as coisas, fazer esse Andrezinho ficar mais esperto pra vir!!! Fomos confiantes para casa.
Fiz uma festinha de aniversário com a minha família, corri pra lá e pra cá, com aquele barrigão, peguei muito a Analu no colo e ainda demos uma namoradinha! E então....

No dia seguinte, bem cedinho, começaram as contrações! EEEEEEEEE!!! Que legal, que legal, Andrezinho estava a caminho! Continuei tomando a homeopatia para regularizar bastante o trabalho de parto e em 4 ou 5 horas eu já estava em trabalho ativíssimo! Não tinha terminado a manhã ainda e eu já me sentindo parindo, afe, com aquela inquietude, andando para lá e para cá, vontade de fazer cocô.. tipo vamos que vamos!!!
Não eram nem 11 da manhã já ligamos para Lu dizendo que a coisa estava rolando solta! E fomos para o hospital. A Aninha também já estava sabendo e nos encontrou lá.

Cheguei no São Luiz já anunciando que ia parir! Hahahahaha, foi ótimo porque isso já acelerou a burocracia toda. O segurança que fica na porta, todo gentil, me ajudou a descer do carro e me levou até o sofá, disse: pode sentar aqui, vou chamar a enfermeira... e eu: ai moço, obrigado, mas não dá pra sentar não! Hahahahaha ai ai ai ai.... chama logo!

Aí a enfermeira de plantão já me examinou (toda aflita achando que eu ia parir ali mesmo) estava com 8 cm de dilatação, bolsa integra!!! Eeeeeeeee!!! Como me animei!!! Tão rápido!!! Corre, corre pro Centro Obstétrico.

Cheguei lá achando que eu ia só tossir e Andrezinho nascer, mas não foi bem assim. O danadinho estava alto pra chuchu, dilatação total e ele lá em cima. A dor tava pegando, eu fui ficando cansada... já tinha agachado, ficado na posição deitada, sentada, assim, assada e nada... já tava rolando mantra, massagem, carinho, e nada.. e a dor pegando...  neste momento, a Marcia, que tinha sido a parteira da Analu, estava lá na sala ao lado, foi me dar um beijo de boa sorte! Tão legal encontrar pessoas queridas numa hora dessa! Aumenta a sensação de alegria, de festa, de boas vindas e a gente se sente mais revigorada! A Renata, colega de Med ABC também, que fez todos os meus ultra-sons também foi me dar um beijo nesta hora.
Aí, a Lu sugeriu uma raqui. Topei, pensei: me alivia um pouco a dor e esse muleque desce e nasce. Fizeram, tranquilo. Pedi para o anestesista não me deixar totalmente sem dor. Uma dorzinha é boa pra gente perceber a contração e fazer força na hora certa. E assim ele fez. Aí andei, agachei, mudamos do CO para o Delivery Room e o Andrezinho: alto. E eu, cacilda, cadê esse muleque?

Em algum momento a Lu rompeu a bolsa, com meu consentimento, para o menino descer. Pensamos, agora vai, chama o pediatra, eu achando que ia cuspir o muleque. Nada.

Meu!!! Eu comecei a ficar ansiosa. E a Lu... ah a Lu... e a Dani, que estava auxiliando... as duas... numa caaaalllmmaaaa..... calma, Sil, ele deve estar em alguma apresentação diferente, pra demorar tanto para descer, mas o coraçãozinho está ótimo, vamos em frente! E eu dando graças a todos os deuses, Ganesh, Buda, Jesus de ter procurado estas duas lindas para cuidarem da gente! O olhar da Lu me transmitia muita confiança. Em nenhum momento senti que ela titubeava tipo: bora rachar essa barriga antes que o bebê entre em sofrimento, ou faça, cocô na barriga, ou qualquer coisa assim, desse papo de fazer parto normal virar cesárea...

Bom, a coisa foi demorando. Eu ficando cansada. A raqui passou e a dor voltou com tudo. Forte mesmo. Uma dor diferente da do parto da Analu, quase que eu não podia com ela. A Lu sugeriu uma peri contínua e fizemos. Da mesma forma, pedi pro anestesista não me deixar totalmente sem dor. E fiquei feliz com a minha anestesia e mais confiante e com mais força pra continuar.

Em certo momento, a Lu conseguiu palpar direitinho a cabeça do nenê e me disse: ele tá em OS Sil!!! Quer dizer, vai nascer olhando pra cima! (Uma posição anômala, que faz o parto demorar mais, mas que nasce tranquilo mesmo assim).

E vamos que vamos, força boa, coragem, tranquilidade e segurança na minha obstetra, confiança na minha doula, apoio do meu marido, vamos vamos...

Já no finalzinho, vejo meu cunhado entrando no delivery! Hahahahaha como assim??? Ele, que é medico lá do São Luiz, foi só perguntar de mim e a enfermeira puxou ele pra dentro da sala! Hahahaha  nem sei se ele curte essas emoções de parto, mas falei: Aeee Giba, fica a vontade, tá uma festa aqui, já já nasce!

Apesar da demora o clima era de muita festa e muito astral! E vamos lá, mais umas forças e lá estava a cabecinha dele aparecendo! E a Lu: ai Sil, deixa eu fazer uma episio, pequenininha... e eu.. ahn... essa foi a única parte que eu não gostei. Mesmo. Mas eu já estava tão cansada, o Andrezinho já estava tão perto, que deixei. Falei: faz Lu, faz o que precisar que eu quero esse muleque no meu colo!

Então, todo mundo me segurou pelas costas, eu praticamente sentei e  dois segundo depois....  nasceu o Andrezão, olhando para mim, em OS, numa defletida grau 1. Meu, que mulecão!!! Nasceu tranquilex, chorou um pouco e logo se aquietou no meu colo. O Douglas examinou ele ali mesmo e tudo ótimo! Dois minutos e meio depois meu bebezão já estava mamando! Puts! Nasceu com fome, com uma força, parece até que nasceu ensinado!!! Meu menino já mostrando a que veio! Eu não poderia estar mais feliz!!!! Flavio babando, Aninha, Lu, Dani, Douglas, todos vibrando e eu... ahn, que sensação maravilhosa, de amor, de plenitude, de ter posto mais um rebento no mundo! 

AI COMO É BOM PARIR!!!!

Andrezão ficou no meu colo por mais ou menos umas duas horas. Neste tempo ele mamou, foi bastante mimado, se aqueceu e se aquietou. Ganhei muitos e beijos e abraços e parabéns e uma nova festa de aniversário, só que no dia seguinte!

Só depois que toda a equipe já tinha saído e que eu precisava subir para o quarto, ele foi pesado (3580g! uau!) e foi um pouco pro colo do Papai. Minha mãe, como no parto da Analu, foi lá me ver , ficou comigo e me ajudou a bater um belo prato de comida.

E assim foi! Um partaço. Diferente do primeiro, não menos emocionante. Nem mais emocionante. Tive que passar por intervenções, mas nada foi feito sem meu consentimento. Também não fui induzida a nada. Seu eu resolvesse parir sem anestesia, a minha querida obstetra Lu estaria lá, do mesmo jeito, pra me ajudar a parir.

Este foi o ponto mais importante do meu segundo parto – tudo foi diferente (também, pudera, foi uma gestação diferente, um bebê diferente, uma posição diferente, uma equipe diferente. O parto ia ser diferente de qualquer forma) mas tudo que foi feito, foi feito com meu consentimento. Nada foi imposto. Toda a equipe me transmitiu tanta segurança... a equipe e principalmente a Lu, bancou meu parto. Abraçou minha causa. Fui respeitada na minha vontade de parir e de ser eu a protagonista do parto. E o André pode nascer do jeito que ele escolheu, na hora que ele escolheu, com o mínimo de intervenções. Por isso, serei eternamente grata!

“necessário, somente o necessário... o extraordinário é demais!”

A força e a occitocina foram minhas, não me instalaram um sorinho para acelerar o parto, acreditando que a natureza faz acontecer. Ah, se faz! É só a gente não atrapalhar...

Namaste!


terça-feira, 12 de junho de 2012

Pelo direito de opinião e de opção!

Aos meus queridos leitores, deixo aqui reproduzida uma carta aberta à sociedade, redigida pelo Dr. Ricardo Herbert Jones, um obstetra humanizado do Rio Grande do Sul.

O motivo da carta foi a reação arbitrária do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ) à declaração do Dr. Jorge Kuhn na reportagem do Fantástico sobre PARTO HUMANIZADO DOMICILIAR.
A reportagem foi ao ar em 10/06/2012 -

http://globotv.globo.com/rede-globo/fantastico/t/edicoes/v/parto-humanizado-domiciliar-causa-polemica-entre-profissionais-da-area-de-saude/1986583/

A notícia foi publicada ontem no Jornal do Brasil, com afirmações absurdas como: "A denominação de “parto humanizado”, na verdade, mascara o risco a que mãe e bebê estão sujeitos" -

Não se trata apenas de defender um profissional ético e capaz como o Dr. Jorge Kuhn. A reação do Conselho fere o direito de expressão e opinião de qualquer médico e, principalmente, o direito das mulheres escolherem como e aonde querem parir.

O Dr. Jorge e sua equipe me assistiram no parto da Analu. Um parto natural, sem anestesia ou intervenções, por escolha minha, de querer participar ativamente do parto da minha filha. A experiência foi maravilhosa e, apesar de eu ter parido no hospital, também por escolha minha, meu parto me mostrou uma realidade que antes eu desconhecia - o parto domiciliar. Conhecendo pessoas capazes e embasadas cientificamente, como os Dr.Jorge, os pediatras, as parteiras, doulas e outros profissionais humanizados, entendi de uma vez por todas, que o parto domiciliar é SIM uma opção viável e segura. É um direito nosso escolher. Parir em casa não é um oba-oba de gente bicho grilo, que quer inventar. É uma opção que, inclusive, acontece em outros países.

Eu não poderia deixar de me manifestar em defesa do meu médico e da humanização, pois é isso que busco e procuro fazer na minha vida pessoal e profissional.

Por isso, assino embaixo!
 
CARTA ABERTA À SOCIEDADE
por Dr. Ricardo Herbert Jones

Nós, médicos humanistas, enfermeiras-obstetras e obstetrizes, todos os profissionais, entidades civis, movimentos sociais e usuárias envolvidos com a Humanização da Assistência ao Parto e Nascimento no Brasil, vimos através desta presente Carta manifestar o nosso repúdio à arbitrária decisão do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ) de encaminhar denúncia contra o médico e professor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) Jorge Kuhn, por ter se pronunciado favoravelmente em relação ao parto domiciliar em recente reportagem divulgada pelo Programa Fantástico, da TV Globo.

Acreditamos estar vivenciando um momento em que nós todos, que atendemos partos dentro de um paradigma centrado na pessoa e com embasamento científico, estamos provocando a reação violenta dos setores mais conservadores da Medicina. Pior: uma parcela da corporação médica está mostrando sua face mais autoritária e violenta, ao atacar um dos direitos mais fundamentais do cidadão: o direito de livre expressão. Nem nos momentos mais sombrios da ditadura militar tivemos exemplos tão claros do cerceamento à liberdade como nesse episódio. Médicos (como no recente caso no Espírito Santo) podem ir aos jornais bradar abertamente sua escolha pela cesariana, cirurgia da qual nos envergonhamos de ser os campeões mundiais e que comprovadamente produz malefícios para o binômio mãebebê em curto, médio e longo prazo. No entanto, não há nenhuma palavra de censura contra médicos que ESCOLHEM colocar suas pacientes em risco deliberado através de uma grande cirurgia desprovida de justificativas clínicas. Bastou, porém, que um médico de reconhecida qualidade profissional se manifestasse sobre um procedimento que a Medicina Baseada em Evidências COMPROVA ser seguro para que o lado mais sombrio da corporação médica se evidenciasse.

Não é possível admitir o arbítrio e calar-se diante de tamanha ofensa ao direito individual. Não é admissível que uma corporação persiga profissionais por se manifestarem abertamente sobre um procedimento que é realizado no mundo inteiro e com resultados excelentes. A sociedade civil precisa reagir contra os interesses obscuros que motivam tais iniciativas. Calar a boca das mulheres, impedindo que elas escolham o lugar onde terão seus filhos é uma atitude inaceitável e fere os princípios básicos de autonomia.

Neste momento em que o Brasil ultrapassa inaceitáveis 50% de cesarianas, sendo mais de 80% no setor privado, em que a violência institucional leva à agressão de mais de 25% das mulheres durante o parto, em vez de se posicionar veementemente contrários a essas taxas absurdas, conselhos e sociedades continuam fingindo que as ignoram, ou pior, as acobertam e defendem esse modelo violento e autoritário que resulta no chamado "Paradoxo Perinatal Brasileiro". O uso abusivo da tecnologia contrasta com taxas gritantemente elevadas de mortalidade materna e perinatal, isso em um País onde 98% dos partos são hospitalares!

Escolher o local de parto é um DIREITO humano reprodutivo e sexual, defendido pelas grandes democracias do planeta. Agredir os médicos que se posicionam a favor da liberdade de escolha é violar os mais sagrados preceitos do estado de direito e da democracia. Ao invés de atacar e agredir, os conselhos de medicina deveriam estar ao lado dos profissionais que defendem essa liberdade, vez que é função da boa Medicina o estímulo a uma "saúde social", onde a democracia e a liberdade sejam os únicos padrões aceitáveis de bem estar.

Não podemos nos omitir e nos tornar cúmplices dessa situação. É hora de rever conceitos, de reagir contra o cerceamento e a perseguição que vêm sofrendo os profissionais humanistas. Se o CREMERJ insiste em manter essa postura autoritária e persecutória, esperamos que pelo menos o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CREMESP) possa responder com dignidade, resgatando sua função maior, que é o compromisso com a saúde da população.

Não admitimos, não permitiremos que o nosso colega Jorge Kuhn seja constrangido, ameaçado ou punido. Ao mesmo tempo em que redigimos esta Carta aberta, aproveitamos para encaminhar ao CREMERJ, ao CREMESP e ao Conselho Federal de Medicina (CFM) nossa Petição Pública em prol de um debate cientificamente fundamentado sobre o local do parto. Esse manifesto, assinado por milhares de pessoas, dentre os quais médicos e professores de renome nacional e internacional, deve ser levado ao conhecimento dos senhores Conselheiros e da sociedade. Todos têm o direito de conhecer quais evidências apoiariam as escolhas do parto domiciliar ou as afirmações de que esse é arriscado – se é que as há.
http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=petparto
Abaixo-assinado PETIÇÃO PÚBLICA POR UM DEBATE CIENTIFICAMENTE FUNDAMENTADO SOBRE LOCAL DE PARTO  www.peticaopublica.com.br

Abaixo-assinado PETIÇÃO PÚBLICA POR UM DEBATE CIENTIFICAMENTE FUNDAMENTADO SOBRE LOCAL DE PARTO
www.peticaopublica.com.br

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Manual para a Mãe Trabalhadora (como eu!)

Segue aqui o manual do Ministério da Saúde para as mães que precisam voltar ao trabalho e ainda estão amamentando.

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_mae_trabalhadora_amamenta.pdf

Ele mostra que, realmente, a conduta de "já ir dando uma mamadeira de NAN para o bebê se acostumar" não tem o MENOR sentido. E o pior é que é isso que eu mais ouço por aí: "o pediatra mandou já ir dando a fórmula para o bebê não estranhar quando eu sair..." ou "é para eu já ir dando o suquinho, para quando voltar ao trabalho..."

Gente, peraí! É bem possível manter o aleitamento materno exclusivo até seis meses mesmo que a mãe volte ao trabalho antes. Elas, ou melhor, nós (porque sou uma delas)  têm os seus direitos e se seus chefes não os conhecem, eles podem ser informados. As mães, com o apoio do pediatra, devem exigir seus direitos, pois eles são garantidos por LEI. O que acontece, acredito, é falta de informação. Então, como pediatra e mãe, é meu dever informar o máximo possível. Para isso me baseio nas orientações do Ministério da Saúde e da OMS.

Dentre outras reportagens sobre aleitamento materno, a da última edição do Fantástico (milagre!) também ficou ótima!

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1669472-15605,00-MAES+TEM+DIREITO+A+DOIS+INTERVALOS+NO+TRABALHO+PARA+AMAMENTAR.html

A VEJA SÃO PAULO, também esta semana, publicou uma matéria sobre Baby Yoga, Dança Materna e o CineMaterna - mostrando que não precisamos ficar trancafiadas em casa com os nossos bebês pequenos, "condenadas" ao troca-troca de fraldas, peito e banho, privadas da vida social. Nada disso! Estes encontros de mães são super benéficos porque descontraem, promovem troca de idéias e desabafos, de mulheres que estão vivendo o mesmo momento, as mesmas angustias, dúvidas e expectativas.Como mãe e pediatra, aprovo e recomendo!!!



http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2229/programa-canguru-atividades-maes-com-bebes






Olha aí a gente no CineMaterna - fomos assistir RIO!









Ser uma mulher moderna, independente, com uma vida social, que persegue objetivos, conquista espaço e fica satisfeita profissionalmente é maravilhoso. E ser moderna e independente não quer dizer que tenhamos que abrir mão de hábitos mais antigos, ancestrais e instintivos e mega-saudáveis, como amamentar e embalar nossas crias. Acredito que há espaço para tudo isso, basta querer. Talvez deixar algumas coisas de lado, sim, pode acontecer. Mas isso é porque há outra grande prioridade agora: SER MÃE! Além do mais, passa tão rápido! Hoje os filhotes mamam, mas já já estão correndo por aí, e mais um pouco, correndo para o mundo...

Então... muito leite e muito amor, muito bem embasados pela lei e pela Pediatria de verdade!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

1 a 7 de Agosto: SEMANA MUNDIAL DO ALEITAMENTO MATERNO


A Semana Mundial do Aleitamento Materno, de 1 a 7 de agosto de 2011, reforça a importância deste ato que é o primeiro e mais importante para o desenvolvimento saudável da criança, fortalecendo também o vínculo fundamental entre a mãe e o bebê.

Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) pede um empenho renovado de todos os setores da sociedade para criar ambientes que apoiem o aleitamento materno, incluindo locais de trabalho, transportes públicos, serviços de saúde e outros lugares abertos como parques onde as mães com crianças pequenas estão mais presentes. Este apelo dá início à Semana Mundial do Aleitamento Materno 2011, de 1 a 7 de agosto.

Embora a amamentação tenha aumentado em muitos países das Américas, ainda há muito a ser feito para otimizar as; práticas de amamentação. Na maioria dos países da região, menos da metade dos bebês começam a mamar durante sua primeira hora de vida, como recomendado pela OPAS/OMS. O aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses, também recomendado pela organização, é bastante baixo, entre 8% e 64% dos bebês, na média em diferentes países da América Latina.
“Precisamos reverter essas tendências através da criação de ambientes que apoiem a amamentação”, disse a diretora da OMS/OPAS, Mirta Roses. “A amamentação é uma das maneiras mais seguras, saudáveis e naturais para alimentar um bebê, no entanto, tende a ser algo feito em segredo em casa e fora da vista do público”, acrescentou.

O tema da Semana Mundial de Aleitamento Materno é: “Diga-me: Amamentação, uma experiência em 3D”. Busca atrair a atenção pública para a amamentação, falar sobre o tema com todos os membros da sociedade e demonstrar que a criação de ambientes favoráveis e amigáveis para amamentar é responsabilidade de todos.

Entre os exemplos de como criar este tipo de ambientes favoráveis para a amamentação materna incluem: transporte público que oferece vagas especiais para mães que estão amamentando, assim como locais de trabalho e espaços públicos que oferecem às mulheres lugares que alimentam seus bebês.

A amamentação é a intervenção preventiva mais eficaz que existe para evitar mortes de crianças menores de cinco anos. A pesquisa mostra que cerca de 20% de morte neonatal (menos de um mês) poderiam ser prevenidas se todos os recém nascidos começarem a receber leite materno durante sua primeira hora de vida.

Além disso, crianças que são amamentadas durante uma média de sete a nove meses têm seis pontos mais de QI que crianças que recebem leite materno por menos de um mês. A amamentação materna também ajuda as mães a perder peso e reduzir o risco de câncer de mama e câncer de ovário, como diabetes tipo 2.

Fundada em 1902, a OPAS/OMS é a organização de saúde pública mais antiga do mundo. Trabalha com todos os países das Américas para melhorar a saúde e qualidade de vida das pessoas na região. Seu secretariado atua como Escritório Regional para as Américas da Organização Mundial de Saúde.

A World Alliance for Breastfeeding Action (Waba) lançou um calendário comemorativo da Semana Mundial de Aleitamento Materno 2011, contendo informações sobre como desenvolver esse tema tão complexo e atual, sugerido para este ano.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...