FILOSOFIA

FILOSOFIA

A medicina natural pode acrescentar muito no cuidado geral com as crianças, no tratamento das doenças comuns da infância e na manutenção da saúde.



Os métodos naturais como a Homeopatia e o Ayurveda colaboram com uma postura menos materialista e menos imediatista, desencorajando a auto-medicação, o exagero e a falta de bom senso no uso da alopatia.



É possível mudar os hábitos e usar os recursos naturais a fim de construir um estilo de vida mais saudável, sem deixar de lado a prática médica convencional, com suas indicações precisas.

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quarta-feira, 19 de junho de 2013

NA hora do TOMBO... o KIT DE URGÊNCIA DA HOMEOPATIA!

Gente, acidente com crianças é coisa séria... longe de ser neurótica, crianças tem mesmo que brincar, pular, correr, gritar, tomar chuva, banho de mar, subir em árvore, comer terra... tudo isso é muito saudável! Mas sempre devemos estar sempre de olho e acompanhando nossas crias nas suas aventuras pelo mundo.

Bebês levam tudo à boca, então cuidado com objetos pequenos!

Ao começarem a engatinhar e a ficar em pé com apoio, costumam por dedo na tomada, bater a cabeça em quina, puxar toalhas com coisas perigosas em cima, prender dedinhos nas portas e gavetas... nesta fase: LIVRE-SE DO ANDADOR (se você ganhou um, disfarça e joga fora!) e evitem a cozinha. Os protetores (de quinas, tomadas e portas) são válidos, mas também é válido ensinar a criança o que pode e o que não pode. Protetores ajudam os pais que têm furacões em casa, sem dúvida. Daqueles, "viu, já foi"!

E os maiorezinhos, super curiosos e investigativos, vão querer abrir armários, experimentar remédios, cheirar produtos de limpeza, pegar o ferro de passar, fazer correria na cozinha... portanto,olho vivo e coisas tóxicas em armários altos ou trancados, hein?




Falamos aqui, hiper sucintamente, dos acidentes domésticos... quanto aos outros, os das aventuras por aí a fora, tem que ser na base do olho vivo mesmo. E desde pequenas, as crianças devem saber o que "só pode fazer com o papai ou a mamãe!" Por exemplo: piscina, mar, árvores, muros, escaladas etc

Mas, se algum acidente acontecer... é claro, primeiro avalie a gravidade - se há necessidade de ir ao hospital ou não. Em algumas situações a homeopatia pode ajudar bastante, então, tenha sempre em mãos:






  • Arnica montana 6CH - evita hematomas e inchaços maiores. deve ser administrado logo após o acidente - seja ele qual for: tombo, entorce, topada, pancada, bolada...

  • Ruta 6CH - quando há lesão do periósteo (membrana que recobre os ossos) - em traumas mais graves contra o osso, com ou sem fratura

  • Symphytum 6CH - para a recuperação mais rápida as fraturas verdadeiras. ajuda na formação do calo ósseo e portanto, na resolução da fratura. Calcium phosphoricum 6CH pode ser usado junto.

  • Hypericum 6CH - indicado quando há lesão de nervos ou algum tecido muito sensível, (como os genitais), traumas na coluna ou cóccix.

  • Aconitum 6CH - quando há um choque emocional: presenciou um acidente, ou tomou um grande susto.

Lembrando que o RESCUE REMEDY (um composto de florais de Bach) também pode ser muito útil para aliviar a dor e o susto na hora do tombo. Poder ser aplicado no local do tranco ou dado via oral, quantas vezes forem necessárias até a criança se acalmar.

Compressa com gelo também é ótimo para tirar a dor e diminuir o inchaço e o hematoma.

Se for usar homeopatia, não esqueçam que os sprays tipo GELOL contêm cânfora. Então não os use, porque isso neutralizará o efeito da medicação homeopática!

Qualquer dúvida sobre a seriedade do tombo, não hesite em procurar o seu Pediatra, ou o pronto-socorro.

Então, é isso aí: olho vivo e vamos deixar nossas crianças curtirem muitas aventuras!!!




quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Post no site Cia das Mães!

Gente, quem ainda não conhece, vale super a pena conhecer o site Cia das Mães!
Só tem coisas lindas e gostosas para as mães, bebes, crescidinhos e ate para os papais!
As coisas mais deliciosas, que eu amo sao os slings, as naninhas, as roupinhas e as bebechilas! vale a pena conferir e ficar doida com tanta coisa bonita:

www.ciadasmaes.com.br

Esta semana, elas publicaram um post meu lá, na coluna Vida de Mãe:
Falo um pouco mais da minha estória (quem leu meu relato de parto já conhece bem), da minha opção pelo parto natural e do envolvimento com a medicina natural!

http://www.ciadasmaes.com.br/blog/vida-de-mae/1572-2/


"Quando me perguntam por que escolhi ter um parto natural costumo encher o peito, dar um suspiro e me preparar para contar uma longa estória… a escolha pelo parto natural nasceu lá atrás, antes mesmo de eu imaginar que um dia seria mãe, foi uma conseqüência da minha trajetória de vida.

antes dos vinte anos decidi ser médica. simplesmente eu nunca me imaginei fazendo outra coisa. formei-me em 1999 e fui fazer residência em pediatria. durante meus 10 anos de experiência em pronto socorro, eu sentia duas coisas: uma, que eu tinha uns “filhinhos adotivos” por aí, o que acabou saciando de alguma forma o meu instinto materno. e outra, o medo de um dia passar o que aquelas mães passavam! claro, eu só via um lado da moeda, né? o sofrimento daquelas mães e crianças ficou marcado em mim de forma tão intensa que não me permitia vislumbrar o prazer de ser mãe. felizmente, com o nascimento dos meus sobrinhos isso foi mudando devagarzinho – sendo tia pude experimentar um pouco do lado da moeda que eu não vivia com a pediatria.

logo ao terminar a residência em pediatria, me decepcionei com a medicina convencional. sentia falta de mais proximidade com o paciente e sentia que eu necessitava de uma ferramenta a mais para exercer a medicina de forma integral.

fui fazer uma especialização em homeopatia – isso já era parte daquela tal busca – e encontrei a maneira de exercer minha profissão com maior sensibilidade. mas não bastou… depois disso, vieram as formações em yoga e em ayurveda (a medicina indiana). com elas encontrei uma forma de ver o homem e o universo, muito mais condizente comigo do que aquilo que eu tinha aprendido na faculdade de medicina, que já não me bastava. finalmente, depois da minha última viagem à índia, pude me sentir plena e pronta para a maternidade. a índia é transformadora: fui invadida por um conhecimento que me deixou satisfeita. encontrei respostas para todas as minhas questões metafísicas e existenciais. conseqüência: retornei em fevereiro de 2010 e em março estava grávida!

assim que soube da gravidez, já tive o desejo de ter um parto natural, sem intervenções, deixando simplesmente a natureza agir. aprendi que isso é possível e aplico não só para mim, mas na minha prática pediátrica! ficou muito claro para mim como podemos atrapalhar a natureza, com milhões de intervenções desnecessárias. às vezes um pequeno mal, uma doencinha que o próprio corpo pode dar conta, através da sua sabedoria interna, vira um grande mal, simplesmente porque atrapalhamos o processo natural.

durante a gravidez pude colocar em prática muito do que aprendi. fiz yoga durante a gestação inteira, tomei cuidados especiais, usei ervas adequadas e prestei muita atenção à alimentação. posso dizer que a minha gestação foi a consagração de todo o meu estudo e toda a minha busca.

o yoga e o ayurveda me ajudaram a ter uma gestação tranqüila e a homeopatia me ajudou muito durante o trabalho de parto. conheci pessoas incríveis, que me ensinaram muito. todo o preparo para o parto, para a amamentação me acrescentou demais, à minha vida pessoal e conseqüentemente à minha prática pediátrica.

agora, que minha filha analu já tem 9 meses e que estou de volta ao trabalho, estou mais segura das minhas convicções. não abandonei tudo o que aprendi na faculdade, de jeito nenhum! este é um conhecimento necessário. mas precisa ser usado com critério. posso dizer que fiquei mais satisfeita com o meu modo de fazer medicina e de cuidar da minha filha. com o meu modo de vida.

agora posso entender o que é instinto materno. e percebo que, hoje em dia, o acesso fácil à informação, aos remédios, aos recursos, às intervenções e ao tão valorizado desenvolvimento da medicina, acabaram por ofuscar este instinto. nesta era de modernidade ganhamos muito, mas também perdemos.

nem sempre o que é considerado prático ou confortável é a melhor escolha. o maior exemplo são os índices altíssimos de cesarianas eletivas, sem indicação real. ou, um manual que propõe deixar que seu bebê chore sozinho no berço, até que perca as forças e adormeça. ou ainda, alguns pediatras orientam a introdução precoce de alimentos ou de fórmula, porque a mãe está saindo para trabalhar, esquecendo-se que manter o aleitamento materno exclusivo é possível.

enfim, eu ficaria aqui escrevendo 10 páginas de exemplos de situações em que o natural e o instinto são deixados de lado, em prol do tal conforto e praticidade. mas este é um erro gigante, uma falha de discernimento. a cada vez que deixamos o natural de lado, estaremos deixando de experimentar a vida na sua forma mais real, mais verdadeira, mais humana.

os recursos estão aí para serem usados quando realmente são necessários. em situações extremas, de risco para a saúde e para a vida. mas, excetuando-se estas situações de gravidade, a natureza dá conta. todas nós somos dotadas de instintos e da força do feminino. só precisamos deixar aflorar e confiar.

no meu caso, ter me permitido ter um parto natural, sem intervenções, apenas observando a natureza seguir seu curso e confiando nela, tornei-me outra pessoa. reforcei as minhas convicções e a minha forma de ver o mundo. e entendi, de uma vez  por todas, a minha busca. acho que finalmente cheguei ao primeiro ponto. agora, o caminho continua. sigo confiante na minha própria força, na força do feminino, da maternidade e da natureza, da nossa divina mãe. e feliz, por poder contar com a homeopatia, o yoga e o ayurveda, que permeiam a minha vida, meu modo de ser, meu modo de entender o outro e de exercer a medicina!"

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Porque o medicamento homeopático é tão especial

Não é raro eu ouvir por aí, principalmente de quem não conhece, que a Homeopatia "não faz efeito" porque o remédio homeopático nada mais é do que uma gota de substância ativa diluída em uma piscina de água...

Esta afirmação está totalmente equivocada. A medicação homeopática é diluída sim, e é justamente isso que nos permite o uso dos mais diversos tipos de substâncias, inclusive as tóxicas, como medicamento. Mas a característica mais importante do remédio homeopático não é só a diluição, mas o processo de DINAMIZAÇÃO. A dinamização é que faz uma substância se transformar em medicamento homeopático. Portanto, fitoterapia, decocções, antroposofia não são homeopatia, e você vai entender porque.

Se observarmos uma prescrição homeopática clássica, veremos que na frente do nome da substância (que pode ser do reino vegetal, animal ou mineral e é chamada pelo seu nome científico) vem a potência do medicamento

Ex: Lycopodium clavatum 12 CH

12 CH é a potência, ou seja, o quanto aquela substância passou pelo processo de diluição e dinamização. CH quer dizer centesimal hahnemaniana. A cada 1 CH a substância foi diluída 100 vezes e a cada diluição sofreu sucussões, as famosas batidinhas, que tornam o remédio homeopático ativo. Portanto, qualquer outro remédio que não foi diluído e dinamizado, não é homeopatia.

Acredita-se que através do  processo de dinamização as impressões de determinada substância fiquem "gravadas na memória" daquela água que a contém. (o álcool tem função apenas de conservação) Por isso, mesmo sem pode identificar o princípio ativo da substancia naquela amostra de remédio, ele faz efeito no corpo humano - e um efeito suave e sutil - pois é constituído apenas da impressão sutil da substância. E é por isso também, que o remédio homeopático não é tóxico como os alopáticos. Pode acontecer de causar efeitos indesejáveis, quando não é prescrito corretamente, isso sim, mas não há toxicidade.

Alguns cientistas tentaram explicar, através da teoria da memória da água, a maneira como funcionaria o medicamento homeopático. Apesar desta teoria estar bem próxima de uma explicação plausível, estes cientistas foram ridicularizados frente à sociedade científica cartesiana e preconceituosa. Mas como homeopata, acredito que esta é a direção correta e logo logo isso será mostrado cientificamente. Hoje, não me angustio mais nem um pouco com a suposta "invalidade científica" que muitos julgam da homeopatia, já que é muito fácil de notar clinicamente a ação do remédio homeopático. É claro, evidente e indubtável que homeopatia funciona! É só observar! no blog HOLOSGAIA tem um post muito bom sobre isso, vale a pena conferir: http://holosgaia.blogspot.com/2010/08/memoria-da-agua-homeopatia-e.html

O pai da homeopatia, Samuel Hahnemann, descobriu que a substância diluída e dinamizada, poderia provocar no indivíduo são, sintomas parecidos com os do indivíduo doente, sem os efeitos tóxicos do remédio na sua forma de tintura. Por exemplo: Hahnemann percebeu que se uma pessoa sadia, tomasse China officinalis na forma homeopática, desenvolveria os sintomas da malária. Baseado então no princípio hipocrático de que semelhante cura semelhante, ele aplicou a China ao doente de malária. A intenção é fornecer ao doente uma doença artificial mais semelhante possível à sua natural, através do medicamento homeopático, a fim de extinguir a doença original.

Por isso tudo, o medicamento homeopático é muito mais do que apenas uma gota diluída em uma piscina de água. Exite muita história, muito estudo e muita evidência clínica por traz dele. Concordo que ainda há uma lacuna a ser preenchida. Mas isso passa a ter uma importância menor frente aos benefícios da prática homeopática que respeita os princípios de estudar o doente e não a doença, avaliar honestamente, ajudar a natureza e acima de tudo: Primo nil nocere, primeiramente não prejudicar.






Devido à sutileza do medicamento homeopático, são necessários alguns cuidados, tanto ao tomar como para armazená-lo:


- Tomar os medicamentos longe das refeições procurando manter um tempo mínimo de 15 minutos, inclusive após a escovação dos dentes;

- Não utilizar o mesmo conta-gotas para medicamentos diferentes;
- Não use produtos com cânfora (como Vicky Vaporub ou Gelol), pois este pe o antídoto da homeopatia;
- Evite bebidas alcoólicas, café em excesso e condimentos.










Cuidados com o Medicamento Homeopático 
- Guardar o frasco em local seco e ventilado;
- Fora do alcance de crianças;
- Longe de fontes de radiação (TV, microondas, computadores, celulares);
- Longe de substâncias que tenham cheiros fortes (produtos de limpeza, perfumes, etc.);
- Não se auto medique;
- Não recomende seu medicamento a outras pessoas, pois a homeopatia trata o doente e não somente a doença, e só o seu médico homeopata está capacitado a fazer sua avaliação.



quarta-feira, 8 de junho de 2011

Vacinar ou não, eis a questão!

Um dos assuntos que dá mais pano pra manga em um consultório homeopático é os das vacinas. Você proíbe as vacinas, por ser homeopata? Meu filho só toma homeopatia, ele pode ser vacinado?
Como conciliar o uso da homeopatia com a vacinação? Vacinar ou não? 
Bom, a resposta para essa pergunta pode variar muito de profissional para profissional. Muitos nem discutem vacinar. Outros nem podem pensar em vacinar. Mas, como este é o blog da minha prática clínica, eu só posso falar por mim, desde já sabendo que há uma gama enorme de argumentos prós e contras. Vamos fazer aqui, um balanço da minha opinião e da minha vivência como pediatra e mãe, para poder chegar a alguma conclusão que seja mais tranqüilizadora para as famílias homeopatizadas.
PRIMEIRO PONTO: algumas vacinas protegem contra doenças muito graves.
Doenças como o tétano e a meningite, quando acontecem na infância são muito graves e até letais. Vamos pegar como exemplo, a meningite por pneumococo (que é mais grave do que a meningocócica). Ninguém gostaria de ter o filho acometido por uma doença que tem complicações muito graves como o abscesso cerebral e seqüelas permanentes do desenvolvimento neuro-psico-motor da criança. A meu ver, nenhum efeito colateral da vacina contra pneumococo poderia ser tão grave quanto a própria doença. Além disso, trago comigo a lembrança de ter cuidado de uma criança sequelada de meningite por pneumo, e até hoje penso que aquilo tudo poderia ser evitado pela vacinação.
Às vezes brinco que a Analu sofrerá o efeito colateral de ter uma mãe pediatra: na tentativa de protegê-la de doenças graves, não titubeei em vaciná-la. Mesmo sabendo que, do ponto de vista homeopático, estou a submetendo a outro tipo de doença. Alguns teimam em dizer que é a “doença da vacina” é pior. Mas não consigo me convencer disso, quando me lembro daquela criança tão seriamente comprometida de quem cuidei. E não me desespero tanto com a idéia de vaciná-la.
É uma questão de por na balança: o risco de se contrair uma doença horrorosa destas é pequeno. (Mas quando ela acontece, é grave demais) VERSUS o risco de se apresentar um evento adverso da vacina que protege contra aquela doença (mas que não é tão grave quanto a doença em si). E, além de tudo, pode ser evitado ou amenizado com o uso da homeopatia. Chegamos aqui ao
SEGUNDO PONTO: o uso da homeopatia para prevenir ou amenizar os eventos adversos das vacinas.
Do ponto de vista homeopático, após a vacinação podem ocorrer duas situações: nenhuma reação à vacina, o que indicaria um organismo muito saudável, que lidou bem com o estímulo morbífico da vacina ou um organismo tão comprometido que não conseguiu nem responder ao estímulo. Felizmente, nossas crianças respondem, na maioria das vezes, da primeira forma.
Ou, se ocorrer reação à vacina, esta pode ser leve, moderada ou grave. O fato de se desenvolver febre após a vacinação não é ruim. É o sinal que o organismo está tentando se livrar do estímulo morbífico da vacina.
De qualquer maneira, alguns medicamentos homeopáticos podem ser úteis no combate aos eventos adversos e às seqüelas da vacinação. O mais consagrado é o uso da Thuya, antes e depois da vacinação. Teoricamente, o seu uso impediria que o estímulo da vacinação funcionasse como uma noxa, levando ao aparecimento de doenças crônicas no futuro.
Outras formas possíveis de se medicar homeopaticamente após a vacinação são: utilizar os antígenos da vacina dinamizados (na forma homeopática) como, por exemplo, Bordetella pertussis CH5 após a vacinação de coqueluche. Ou ainda, tratar a reação vacinal como um quadro agudo: selecionar os sintomas que a criança está apresentando durante a reação vacinal e repertorizá-los, chegando a um medicamento homeopático que cubra a totalidade sintomática.
TERCEIRO PONTO: evidência científica que a vacinação, suprimindo as infecções “benignas” da infância, NÃO é um fator de risco para o desenvolvimento da atopia.

Li um artigo científico escrito pelo Dr. Ubiratan C. Adler, (médico homeopata, Mestre em Imunologia, Coordenador da Pós-graduação em Homeopatia da Faculdade de Medicina de Jundiaí), em que, muito bem embasado, ele rebate a hipótese de que a vacinação, por suprimir as doenças comuns da infância, deixaria de der a oportunidade àquele organismo de não desenvolver doenças crônicas como a atopia.

Reproduzo do artigo original:

Eis aqui uma outra oportunidade adequada para observar que grandes doenças epidêmicas como varíola, sarampo, miliária rubra, escarlatina, coqueluche, disenteria outonal e tifóide, depois de completarem seu curso, especialmente sem um tratamento homeopático criterioso, deixam o organismo tão abalado e irritado que, em muitas pessoas que parecem recuperadas, a Psora que antes estava adormecida e latente, agora acorda rapidamente, seja na forma de erupções semelhantes à sarna, seja na forma de outros sofrimentos crônicos...”
S Hahnemann

As observações de Hahnemann não endossam o “pressuposto homeopático” que considera as doenças infecciosas da infância como benignas, protetoras contra doenças crônicas futuras. Pelo contrário, o criador da Homeopatia avaliava as doenças epidêmicas importantes como nóxas que favorecem o desenvolvimento de doenças crônicas, inclusive erupções semelhantes à sarna. Entre as doenças crônicas que hoje chamamos de alérgicas, não seria a dermatite atópica uma erupção semelhante à sarna?


Hahnemann conheceu o resultado da vacinação antivariólica inicial. Em 40, 50 anos de observação de indivíduos imunizados, nada mencionou sobre o desenvolvimento de doenças crônicas causado pela vacina de Jenner, mas sim destacou o benefício proporcionado pela vacinação: “um fato benéfico marcante”. A varíola já não mais “dizimava metade ou três quartos das crianças das cidades que visitava”.
As críticas à vacinação foram introduzidas nas publicações homeopáticas pelo médico homeopata inglês, Burnett que viveu no final do século XIX. Segundo Burnett:

“ao vacinarmos um indivíduo, nós o estamos deixando doente, nós comunicamos vacinose a ele; se, somando-se à vacinose esse indivíduo contrai varíola, suas chances de morrer serão maiores, tanto maior for a vacinose que ele tiver”.

Apesar dos conhecimentos atuais ainda serem limitados sobre o mecanismo de manutenção da memória imunológica, grosso modo sabe-se que a eficiência de uma vacina depende da captura e processamento de seus antígenos pelas células dendríticas, que os apresentam (processados na forma de peptídeos) para as células T, ao mesmo tempo que estimulam a maturação destes linfócitos em células efetoras ou de memória.

Portanto, a teoria da vacinose de Burnett não tem fundamento imunológico. Ao vacinarmos um indivíduo com um determinado antígeno, não o estamos deixando doente, mas sim estimulando linfócitos T a atuarem como células de memória, prontas a coordenar uma resposta imune mais eficiente em caso de novo contato um antígeno muito semelhante. Compreendendo os princípios deste mecanismo, Hahnemann já entendia a vacinação como uma “cura homeopática por antecipação”.

Afastando-se da atitude inicial pró-vacinação de Hahnemann, a literatura homeopática multiplicou preconceitos em relação aos efeitos adversos das vacinas, que têm sido responsabilizadas por muitos males, desde um aumento da suscetibilidade às doenças em geral até a “violência social epidêmica nos Estados Unidos”.

É consenso que a vacinação, como qualquer procedimento sobre a saúde humana, não é isenta de riscos ou efeitos adversos e que cada vacina deve ser avaliada pela relação risco/benefício. Mas, considerando-se a cobertura vacinal como um todo, estudos amplos e bem desenhados como os de Anderson ou Grüber supracitados, apontam a vacinação como um fator de proteção contra as doenças atópicas, o que é lógico, uma vez que as vacinas protegem contra algumas infecções graves na infância, doenças agudas estas que são fatores de risco para manifestações atópicas crônicas. Na terminologia hahnemanniana, as vacinas evitam um maior desenvolvimento da Psora causado pelas grandes doenças epidêmicas. Isto não quer dizer que determinada vacina não possa apresentar efeitos alergênicos, como por exemplo, a vacina contra Haemophilus."
O artigo completo encontra-se publicado no Homeopathy, 2005, 94(13): 182-195; em inglês.

ÚLTIMO PONTO:

Tudo isso posto, vacinar ou não pode ser uma escolha da família. Cabe a mim, como pediatra e homeopata, ajudar na decisão, mostrando “os prós e os contras”. Admito que a minha experiência pessoal e profissional pesam muito. Não tenho como separar o que já vivi do momento atual. Fiquei sim, marcada pela experiência de ter cuidado de crianças que padeceram de males muito graves, que poderiam ser evitados pela vacinação. Ao mesmo tempo, também presenciei discussões e argumentos fortes de homeopatas importantes, contra a vacinação.

Quando o Dr. Vasant Lad esteve no Brasil, pude perguntar pessoalmente a ele, como lidar com a vacinação na infância. O Dr. Lad é um Vadya, um mestre, o maior expoente do Ayurveda aqui no Ocidente. E a resposta dele me tranqüilizou: vacine e combata as complicações. Simples assim!
(a visita do Dr. Lad ao Brasil está no meu outro blog, Namaste! - http://silsg.blogspot.com/2009/10/saibam-visita-do-dr-vasant-lad-e-pandit.html


quinta-feira, 28 de abril de 2011

RELATO DE PARTO - Compartilhando a experiência

Sem dúvida, o nascimento da Analu, do jeito que foi e na época que foi, foi o resultado da minha trajetória de vida e da minha busca pela minha verdadeira identidade.
A gravidez da Ana Luisa foi bem planejada. Flavio e eu já estávamos casados há uns três anos quando ele começou a pensar em filhos.

Ele, talvez por ser nove anos mais velho do que eu, tinha mais pressa. Eu, ainda nos meus trinta e três anos, só tinha pressa de investir na minha vida profissional e na tal busca de identidade. Ainda não tinha sido tomada por aquela vontade bacana de ser mãe.

Formei-me médica em 1999 e fui fazer residência em Pediatria. Talvez isso tenha me tirado, por algum tempo, o romantismo da maternidade. Afinal, nos meus 10 anos de Pronto Socorro, eu convivi diariamente com situações estressantes, de mães preocupadas com as crianças que, infelizmente, não estavam nada bem. Elas precisavam do meu cuidado, exigindo de mim o máximo de dedicação e de senso de responsabilidade. Atendia cada uma delas com o maior carinho, mas, hoje, dando uma repassada por aqueles tempos, percebo que eu sentia duas coisas: uma que eu tinha uns “filhinhos adotivos” por aí, o que acabou saciando, por algum tempo e de alguma forma, o meu instinto materno. E outra, o medo de um dia passar o que aquelas mães passavam! Claro, eu só via um lado da moeda, né? Tamanha era a intensidade do meu sentimento e da minha responsabilidade e compromisso com aquelas mães e crianças, que o sofrimento delas ficou marcado em mim, de uma forma tão intensa que não me permitia vislumbrar o prazer e tudo de mais sublime que há em ser mãe. Felizmente, com o nascimento dos meus sobrinhos, filhos da minha irmã mais nova, isso foi mudando devagarzinho – sendo a Tia Sissi pude experimentar um pouco do lado da moeda que eu não vivia, com a pediatria.

Logo ao terminar a residência em Pediatria, me decepcionei com a medicina convencional. Sentia falta de mais proximidade com o paciente e sentia que eu necessitava de uma ferramenta a mais para exercer a medicina de forma integral. Fui fazer uma especialização em Homeopatia – isso já era parte daquela tal busca – e encontrei a maneira de exercer minha profissão com maior sensibilidade. Mas não bastou... depois disso vieram as formações em Yoga e em Ayurveda ( a medicina indiana). Com elas encontrei uma forma de ver o homem e o universo, muito mais condizente comigo do que aquilo que eu tinha aprendido na faculdade de medicina, que já não me bastava. Tudo isto me mostrou a vida de forma mais real e me trouxe a segurança de que as coisas são como são e tudo está perfeitamente bem.

Em janeiro de 2009, durante uma viagem à Índia, uma das minhas amigas, a Ju, planejava uma gravidez. E realmente em fevereiro de 2010 ela deu à luz a uma linda menina, de parto natural em casa.

Eu já tinha ouvido falar em parto domiciliar, mas como médica, a primeira opinião foi “isso é loucura”. Resquícios daquela parte cética da faculdade de medicina... Mas, depois de tudo o que aprendi nesta minha trajetória, pude me abrir para esta possibilidade do parto natural e entender a motivação da minha amiga.

Em janeiro de 2010 retornei à Índia e desta viagem voltei em paz com a idéia de ser mãe. Mais que isso, estava decidida e finalmente tocada pelo verdadeiro instinto materno – a vontade bacana tinha finalmente brotado no meu coração. Acho que destravei alguma coisa lá na Índia... ou amarrei todos os nós da minha busca... sei que, com a tenacidade do Flavio, que tem uma pontaria danada para chutar e marcar... GOL!

Cheguei da Índia em fevereiro e em março estava grávida!

A gestação

Desde a minha chegada já estava em contato de novo com a Ju. Ela me contou todos os detalhes do seu parto, me passou o contato do GAMA e eu fiquei encantada e decidida a ter um parto natural e humanizado. O que me motivou a ligar para ela foi um sonho tão vívido que tive, sonhei que estava dando de mamar a um bebê pequeninho e peladinho, tão vívido! Na verdade eu já estava grávida e ainda não sabia! No mesmo dia, liguei para a Casa Moara para marcar uma consulta com Dr. Jorge. Disse à secretária que seria uma consulta para conhecê-lo melhor, pois estava planejando uma gravidez. Mas o nenê já estava na barriga!

Na semana seguinte, atrasou minha menstruação. Fiz o teste de farmácia e bingo! Positivo! Saí do banheiro toda saltitante, só para confirmar para o Flavio que era gravidez mesmo! Pois depois de um sonho como aquele... atraso menstrual... eu sempre reguladinha... estava achando mesmo... que talvez... viesse nenê por aí... sabe como é? E era! Toca ligar de novo para a secretária do Dr. Jorge, olha, eu disse que não estava grávida, mas acabei de descobrir e tal! Hahahaha! Que alegria!

Enfim, depois fizemos o primeiro ultrassom, com a minha amiga Luciana, antes mesmo de ir à consulta, de tão curiosa e ansiosa que eu estava... médica, né? Difícil me desfazer d este estereótipo! É uma verdadeira missão! Enfim...

A gravidez correu bem! Não tive nada, nada, nada... apesar de ter medo de tudo! Que bobagem... de intercorrência mesmo, não tive nada! Fui usando as ervas e óleos indicados para gestantes que trouxe da Índia, procurando não ganhar peso e seguindo as orientações do meu pré-natal e tudo deu certo!

Mas duas coisas aconteceram que marcaram minha gravidez. Dois grandes sustos que me deixaram marcas.

Em junho, estava saindo do AMA onde trabalho e fui assaltada à mão armada. O bandido nem reparou na minha barriga, ainda estava pequena mesmo e eu estava cheia de roupa. Foi horrível – fui revistada por ele, o meu carro também... ele acabou levando só umas coisas... mas perdi minha aliança... meu esteto... meu otoscópio... foi um baita susto e um desapontamento tão grande, ser assaltada dentro do meu local de trabalho! E grávida –e aí, já viu, todo tipo de situação surge na nossa mente, né? Tipo: “médica grávida morre na porta do AMA, vítima de assalto”... credo – sei que o desapontamento foi tanto, que acabei saindo de licença médica em setembro, pois não estava dando para eu trabalhar com tranqüilidade... a barriga já grandona, e as minhas Braxton-hicks, que começaram logo cedo, pioravam bastante com o meu stress!

Em outubro, já com 8 meses, (a DPP era 5 de dezembro), meu pai adoeceu gravemente. Foram três semanas de internação, sem um diagnóstico preciso. E a cabeça à mil pensando em tudo quanto é nome de doença séria...Foi grave, a sensação de ver meu pai tão fragilizado, emagrecido, tomando nutrição parenteral... foi realmente indiscritível. Nunca tinha visto meu pai doente... meu papaizinho, meu porto seguro!... Graças à Deos ele devagar foi se recuperando, teve alta e eu pude ficar mais tranqüila...

Em meio a tudo isso, meu marido Flavio viajou a trabalho e ficou 2 meses e meio em Campo Grande. A saudade foi grande, sentia bastante falta dele ao meu lado, curtindo a barriga e tal. Mas agüentei firme. Sabia que o trabalho dele é assim mesmo e que este sacrifício ia ser revertido em bastante coisa bacana para nossa família, que estava começando! Eu tive muito apoio da minha família neste período e também foi muito importante o papel da equipe de profissionais da Casa Moara!

Durante a viagem do Flavio eu freqüentava bastante as reuniões de gestantes na Casa Moara! Foram nestas reuniões que conheci a Marcia Koiffman e toda a sua delicadeza – foi quando quis que ela fosse minha parteira. Nas reuniões falávamos de tudo, eu tirava as minhas dúvidas e também aprendia bastante sobre parto humanizado! Apesar de ser médica, eu simplesmente não conhecia esta possibilidade, nunca tinha atinado que era possível ter um parto sem intervenções, mesmo no hospital. Até então, para mim, parto normal tinha anestesia, ocitocina e episiotomia. Sem isso, só se nascesse em casa, por acidente, sabe? Quando não dá tempo? Foi como aprendi na faculdade... e que alívio o meu, já tão envolvida com medicina natural, encontrar uma equipe de profissionais com esta proposta tão... natural! Ser tão bem acolhida, conversar, trocar experiências, ler vários relatos de parto, assistir aos vídeos, tudo isso foi fundamental para a minha escolha.

A presença da minha doula, a Marcelly, também foi fundamental. Ela me acompanhou desde o 3º mês, fazíamos aulas de yoga toda semana na minha casa, e ela acompanhou tudo o que aconteceu, o assalto, a doença do meu pai, a reforma do apê (e tinha isso também)... e nas práticas de yoga ela me ensinava mais sobre parto humanizado.... fui ficando cada vez mais tranqüila com a idéia de ter a nenê sem intervenções.

O Flavio sempre apoiou a minha opção, o que foi também fundamental para mim, já que venho de uma família de médicos alopatas e bastante céticos. Comecei dizendo a eles que gostaria de ter parto normal... mas só mais para o final da gestação que entenderam que era um parto natural mesmo, o que eu queria. Chegaram a pensar que eu tinha um parafuso a menos, mas agüentei firme. Apesar de eu já estar considerando o parto domiciliar uma possibilidade, Flavio e eu acabamos optando por um parto humanizado no hospital. Um parto domiciliar seria demais. O Flavio logo disse que não encararia um parto em casa, pelos motivos pessoais dele, que respeitei. Imaginei também a aflição da minha família, principalmente do meu pai, pediatra de 40 anos de carreira, cético e alopata, se eu tivesse a nenê em casa. Se eu fizesse escondido, tipo falar de última hora, olha a nenê nasceu em casa, pode vir visitar... isso para ele ia ser como uma traição, acho eu. Então, ficou decidido que a Analu nasceria no hospital, no delivery room.

Assisti a vários vídeos de parto na água e fiquei apaixonada pela delicadeza de um nascimento assim. Tinha bastante vontade que a Analu nascesse na água, pela suavidade, e fiquei empolgadíssima com a banheirona do delivery room, que até então eu nem conhecia!

Enfim, foi assim que transcorreu a gravidez da Analu! Adorei o barrigão e me sentia o máximo! Fotografei bastante, fiz bastante yoga e fiquei super feliz e tranqüila de só ter feito três ultrassonografias durante toda a gestação! Eu percebia que a nenê estava bem, já sabia que ela estava cefálica, via que nas consultas tudo corria bem, altura uterina compatível com a idade gestacional... então, para que mais ultrassom? E todo mundo ansiosíssimo, quando é o próximo, mas você não quer saber quanto ela está pesando? Quando vai fazer o ultrassom 3D? Etc etc... Agüentei firme a pressão do povo, pois eu sabia que podia ficar sossegada, tudo estava perfeitamente bem! Meu corpo também me dava esta certeza!

E, já com 38 semanas, fui à consulta com a Márcia, a minha parteira. Ela reparou que eu tinha diminuído um pouco de peso e me explicou que isso pode acontecer quando está chegando perto da hora do parto. Ela me sugeriu também um medicamento homeopático, apenas para favorecer o trabalho de parto, disse que se eu quisesse poderia começar a tomá-lo. Enfim, nem preciso dizer que adoro homeopatia e então segui a recomendação dela. Tomei as gotinhas na tarde da noite de 26 de novembro e às 5:30h da manhã do dia 27, comecei a ter umas contrações!

O trabalho de parto

Estava lá, num soninho bom quando começou uma dorzinha... eu já sabia que eram contrações e que estava começando o trabalho de parto. Levantei, fiz um xixi, avisei o Fla, ihh... acho que a Analu já quer nascer... e voltei a dormir! Dormi tranqüila, mesmo com as contrações até as 8:30 da manhã... aí levantei e comecei a contar a freqüência e duração delas. Vendo que estavam ficando regulares, lá pelas 9:00h liguei para a doula, a Marcelly. Ela me orientou direitinho e continuei a contar. A partir de umas 10 da manhã a coisa começou a apertar mais. Nesta hora o Flavio já estava comigo para lá e para cá, segurando a minha mão e me ajudando a encontrar a posição mais confortável. As dores iam e vinham com intervalos menores e já eram mais fortes, me fazendo levantar e andar pela casa, apoiar no sofá, sentar na bola que a Marcelly tinha deixado aqui para mim... Avisei a Marcia. Ela me disse que logo estaria aqui, lá por volta da hora do almoço.

Eu tinha combinado de ir pela manhã com a minha mãe, comprar não-sei-o-que não-sei-aonde com a minha mãe. Então, tive que ligar para ela avisando que não ia dar para ir, mas não quis deixá-la ansiosa dizendo que a nenê pode nascer hoje, estou indo para o hospital, sabendo que o trabalho de parto ainda poderia durar bastante... Acabei dizendo mãe estou com umas contraçõeszinhas, a Marcia vem aqui me ver mas acho que não é nada não...

As dores continuaram regulares e antes da hora do almoço me senti nauseada, com vontade de vomitar. Corri para o banheiro e disse para o Flavio que eu queria ficar ali sentada no chão, perto do vaso. Aí ele me trouxe uma almofada, para eu não encostar no gelado... e ligou para a Marcia. Ela respondeu que quando aparece náusea ou vomito é que a coisa já está meio adiantada e que já estava vindo já.

Rapidinho chegaram as duas, praticamente juntas! A Marcia me examinou, fez uma manobra de parteira ali no meu colo do útero, que nem doeu e eu já estava com 6 para 7 cm! Ai, fiquei super contente!!! Já era hora de ir para o hospital! E fomos, o Flavio procurando a bendita carteira que ele nunca sabe onde está, pegando as malas, ah e não esquece o óleo que eu trouxe da Índia, pegou a carteirinha do convênio? Cadê a chave do carro? Etc etc...

O Flavio foi dirigindo e eu fui com a Marcelly atrás. Nessas alturas as dores já estavam para valer e a Marcelly me colocou numa posição confortável e ia me fazendo massagem na lombar. Até o hospital foi rápido, era sábado e eu estava tranquila pois sabia que não havia motivo para pressa...

Chegamos na recepção e ficamos aguardando um pouquinho, mas que mais parecia um poucão, porque as dores vinham e eu não conseguia ficar sentada no sofá da sala de espera. Cada vez que vinha a dor, me ajoelhava no sofá e apoiava os cotovelos no encosto. E me abaixava e já dava uns gemidos... e as gestantes que estavam ali me olhando como se trabalho de parto fosse uma coisa de outro mundo ou até graça a deus não vou ter que passar por isso porque vai ser cesária... a hora que a coisa começou a demorar mesmo, aumentei o volume dos gemidos e as caretas, de propósito, para eles de apressarem! Rsrsrsrs.. deu certo!

Fui para o primeiro atendimento com a Marcia, que explicou que já havia me examinado e por isso não precisava ninguém mais me examinar, com a Marcelly e o Flavio chegou logo em seguida. Fiz a cardiotoco e logo me levaram para a Delivery Room.

Chegando lá logo tirei toda a roupa – um alívio – e entrei na banheira... ah... me ajudou bastante com as dores e pude até relaxar entre elas. O dr. Jorge chegou logo em seguida e já estava ciente de todo o andamento da coisa. Uma enfermeira exagerada do hospital quis ir se apresentar com o tom de voz no último volume, e eu bem simpática, fiz sinal com a mão, tipo já entendi, pra ela... Eu queria sossego e volume baixo...

E assim fiquei nem sei por quanto tempo...A bolsa rompeu dentro da banheira, eu nem reparei. O Flavio colocou música para nós... mas eu quase não ouvi... a certa altura o dr. Jorge falou para eu recitar aqueles mantras que eu gosto... mas não consegui... em uma outra hora ele quis me mostrar alguma coisa com a minha mão, eu não alcancei, ele pediu então um extensor de braço e eu achei que ele falava sério... só sei que fechei os olhos o tempo todo mas pude sentir que a todo momento tinha uma mão para eu apertar, uma palavra de carinho e de incentivo no meu ouvido... eu chamava... Jooooorge.... Maaarcia... Flaaaa.... e o tempo todo todos estavam lá para mim... não sei nem dizer o tamanho do conforto que isso dá, a segurança e tranqüilidade que todos me passaram... sem isso eu não teria conseguido agüentar esta fase do trabalho de parto, pois foi bem intensa!

A certa altura comecei a ficar mole e tonta na banheira. Mediram minha pressão e ela estava baixa, então tive que sair. Colocaram um soro fisiológico para melhorar o meu mal estar e tentamos sentar na banqueta. Mas não deu muito certo não, eu ficava tonta, em parte por causa da dor. Sempre fui de ficar tonta com dor, no dentista, para tirar sangue, sempre peço para ficar mais reclinada, para não escurecer a vista. Acabou que eu me ajeitei reclinada, de ladinho, segurando a perna direita...

E assim, na cama, todo mundo ia se revezando, ora segurando uma perna, a outra, minha mão, meu pescoço... com todo esse apoio entrei na fase do expulsivo.

Não sei quanto tempo durou, mas percebi nitidamente a hora de fazer força. Dá uma vontade de fazer força, ela vem. É tipo força de cocô mesmo. Nesta hora dr. Jorge e a Marcia me ajudaram muito, demais, porque iam me orientando quanto tempo de força eu devia fazer...1..2..3..4.....8..10! e aonde a força deveria ser feita. Por não ter sido anestesiada, eu sentia direitinho o lugar do períneo que era para fazer força, e pedia para que eles me apontassem o lugar, me facilitou demais isso! E a Marcia ia dizendo, ótimo, que força boa, desceu bastante... e eu apesar de quase exausta fechava a boca e fazia mais força 1..2..3..4......8..10! tomava dois fôlegos e no terceiro, de novo: 1..2..3..4......8..9..10! e o Flavio dizendo coisas bonitas no meu ouvido, me segurando... a mão da Marcelly sempre ali pronta para mim... e mais uma força...

Em um determinado ponto fiquei ansiosa por achar que tudo estava demorando demais! Pintaram alguns medos de que alguma coisa pudesse estar saindo errada, coisa de médica boba, como foi difícil esquecer a medicina! Para me dar mais conforto o dr. Jorge colou o aparelhinho da cardiotoco na minha barriga, assim eu podia ficar ouvindo o coração da nenê e me acalmar... cheguei até a pedir anestesia, assim, de leve, tipo, ai dr. Jorge, será que eu preciso de anestesia? Mas acabei esquecendo – estava terminando!

Mais para frente um pouquinho eles me ajudaram a sentir a cabeça da nenê com os dedos! Faltava só um pouquinho assim para ela nascer! Isso me encheu de ânimo! Dava até para sentir os cabelinhos! Já já ela ia estar nos meus braços!

E assim foi! Mais umas forças, não sei quantas, ouvi o Dr. Jorge explicar que eu iria sentir o tal círculo de fogo – e senti mesmo, direitinho, quando coroou a cabeça da nenê! E agora mais uma força, calma, calma, uma força média, não muito forte para sair o queixinho e saiu, eu senti saindo... aí descansei um pouquinho e na contração seguinte, fiz mais uma força média, passaram os ombrinhos e rapidinho em seguida, o tórax e o resto do corpo! Era exatamente 7:38h da noite de sábado.

Nasceu!

AAAAHHHH!!!! A Analu está aqui!!! Deixa eu ver, deixa eu ver... ai minha menininha.... foi o que eu disse e também um “puta vida”... de alívio! Hahahaha! Senti um alívio tão grande, uma sensação tão boa que mistura o eu consegui, com missão cumprida, com agora sou mãe, com minha menininha... e neste exato momento do nascimento passou t-u-d-o, foram embora a dor, o cansaço, o medo. Sentia-me perfeitamente bem!

A Márcia ou o Jorge colocaram a Analu na minha barriga e o Flavio pode curtir comigo a presença da nossa filhinha tão cheia de pureza...definitivamente é uma alegria incomensurável, difícil de descrever! Não esqueço o contato com a pele dela, tão delicada...

A Analu nasceu chorando forte, tipo gata brava, tigreza, que ela é! Abriu os olhinhos, deu uma olhada em volta e se aquietou no meu colo... logo veio o Douglas, o pediatra, dar uma examinada nela e me sossegou dizendo que estava tudo ótimo! Me mostrou o tônus e me disse para não me preocupar que ela já estava bem rosadinha!

Ela nasceu perfeita e saudável, não precisou ser aspirada, não fizemos crede e ela só saiu do meu colo umas 2hs depois... neste tempo ela mamou, no tempo dela, do jeito dela, sem ninguém cutucar, mexer ou apressar... só depois é que foi pesada e foi para o colo do papai!

Enquanto a Analu ficava no meu colo, minha mãe pôde vir me ver! Foi uma delícia tê-la ao meu lado nessa hora tão especial. Recebi todo o carinho dela, que só mãe sabe dar... ela me deu comida na boca, já que eu estava ocupada segurando a Analu para ela mamar. Deu uma fome monstra depois de todo o esforço! E mandei ver a comida do hospital, achando que estava uma delícia!

Depois desse tempo delicioso, a Analu subiu um pouco para o berçário central (o que é obrigatório) e eu e o Flavio aproveitamos para relaxar um pouco. Fiquei bem a noite toda, com ela ao meu lado. De madrugada tomei banho e no dia seguinte estava zerada, falante e faminta! Adorando tudo!

Tivemos alta na segunda pela manhã, depois de recebermos algumas poucas visitas no hospital. Apenas os mais íntimos apareceram, esta foi uma opção nossa mesmo, para podermos ficar os três mais juntinhos, conhecendo esta nova realidade de sermos três! OS pães de mel com o nome dela que minha mãe havia encomendado só ficaram prontos depois da alta, mesmo...

De coração...

Então, é esta a nossa história! Uma história em que pudemos escolher o roteiro e contamos com pessoas maravilhosas para termos um final mais que feliz!

Eu especialmente, no momento do nascimento da minha filha e até hoje, não encontro palavras para agradecer aos meus queridos gurus: dr. Jorge, Marcia e Marcelly! Digo meus gurus porque guru, em sânscrito, quer dizer professor, no sentido mais bonito da palavra – aquele que mostra o caminho, que é repleto de conhecimento e de sabedoria. Os três me mostraram o caminho a seguir até conseguir ter um parto natural. Considero que esta foi uma verdadeira jornada na minha vida e, sem eles, eu não teria conseguido! Guru é também, mais metaforicamente, a representação da luz e da escuridão, sendo guru aquele que dissipa a escuridão e traz à luz! Aos meus gurus, aqueles que me ajudaram a dar à luz, minha eterna gratidão!

O Douglas, que alívio tê-lo conhecido! Ter ao meu lado um pediatra que não faz intervenções desnecessárias foi um alívio para mim! Logo que engravidei fiquei encanada que a nenê fosse ser cutucada de tudo quanto é jeito no hospital, ou logo levada dos meus braços para tomar um banho intempestivo e ficar na vitrine do berçário! Com ele tive a certeza que a Analu ia receber apenas os procedimentos estritamente necessários, podendo ficar sossegada comigo, nas duas horas mais importantes da minha vida... Caro Douglas, a Analu pediu que eu agradecesse!

Sem o Flavio, meu marido, a jornada também não seria possível! Ele me deu todo apoio do mundo, principalemente durante o trabalho de parto e no nascimento. Ele que, durante toda a gestação, achou que ia desmaiar, sair correndo, fugir da sale etc... ficou do meu lado c-a-d-a segundo, sem titubear! Foi corajoso e aproveitou muito a experiência maravilhosa de literalmente acompanhar o nascimento da filha... meu querido marido e companheiro, para você todos os meus beijos mais doces e meu carinho sem fim!

Aos meus pais queridos, sempre, sempre me apoiando, apesar de acharem as minhas idéias meio malucas... adorei o carinho da minha mãe me dando comida na boca e meu pai, que estava com febre no dia que Analu nasceu, me dizendo que já tinha sarado com a notícia! Meus pais queridos, amo vocês!

E a Analu, minha filha linda, nossa pequena Lakshmi, nossa piccola bambolina, que foi forte e corajosa e que nos deu o momento mais lindo de todas as nossas vidas!
                            
                                   

Que haja Paz e Luz! OM SHANTI!
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